23 de junho de 2010
Não quero que me compreendas, apenas que mudes o mundo.
18 de junho de 2010
De todos os modos, morrer saber-lhe-ia a pouco, bem pouco.
11 de junho de 2010
24 de abril de 2010

Quando o sono me pesa, assim me pesa a alma. Cai um pano pelos meus olhos, que, então obscuros, veêm pouco mais senão o meu sofrimento. É como se acordada, me mantivesse viva, consciente do mundo, atarefada a ocultar a dor.. Ou talvez tudo isto seja a minha propensão para dramatizar, e reflita nada mais do que a minha incapacidade para interpretar o meu próprio cansaço.
Rita, sempre severa consigo mesmo, acabaria por escrever a Tiago: Não me sabia dramática, exagerada e pouco sensata, mas parece que o sou e dói-me tanto.
Tiago teria as palavaras certas para lhe silenciar a dor. Rita saberia sempre não pertencer à normalidade, essa trivialidade de ser confundido como os demais, mas defender-se-ia, refugiando-se nos que a amariam como a ninguém mais.
(pic:fatima faria)
13 de abril de 2010
21 de março de 2010
3 de março de 2010

12 de fevereiro de 2010
Na verdade, és feliz, tu é que não sabes. Uma vez por outra lá se encontra um atrevido que, embuído de um qualquer rasgo de cigano de feira, acha que nos pode ler no primeiro suspiro. No primeiro instante, Rita ficava chocada por dentro, e expressava um sorriso por fora. Depois, a relação desequilibriva-se: toda ela risos com o atrevimento do pobre. Era vê-la a contar ao José. E disse-me isto passado dois!, dois minutos depois de nos termos conhecido, não é delicioso?
8 de fevereiro de 2010

Há uma casa azul, onde tudo se passa. Fica para lá de um rio que já pouco corre, mas que sempre se agita em noites de inverno. Fica perto de um igreja de sinos atrevidos, que tocam desconcertados, ao sabor do vento caprichoso.
30 de janeiro de 2010

25 de janeiro de 2010

Uma vez por outra, nem se fala de amor, mas de tanta outra coisa que, frequentemente, parece gravitar como pequenas luas em seu redor. Rita falava da sua idade. Samuel, atento, escutava-o como se a um profeta.
17 de janeiro de 2010

12 de novembro de 2009
O amor prendeu-me como se prendem os corpos nas covas num dia de santos: num lugar fixo, onde me sei, e onde, ainda que não me vejas, tu me sabes encontrar.
29 de outubro de 2009

António desfinhava-se com mais um desses dias em que não se encontra a paz em nenhum lugar. A casa de Rita estava fria, um novo amor prendia-a a um encontro, imagine-se, no centro comercial. Além de Rita, tudo era sempre mais frio, e António não estava motivado a ultrapassar barreiras de gelo, construidas ao longo dos anos. Estava só. Esperaria Rita chegar a casa e logo lhe contaria como às vezes a vida o desfaz e se revolta numa luta inútil.
9 de setembro de 2009
25 de agosto de 2009

Embalou-se na vida como as palavras conhecessem-se então novo sentido e desfez um espelho em gargallhadas estridentes, sem medo de nenhuma praga de sete anos de azar.
30 de maio de 2009
Era a noite mais fria de um Verão intenso. Sim, o Verão também tem noites frias, e há mesmo dias em que o sol não aquece. Assim, era unânime, aquela era a noite mais fria desse Verão. Mas não para todos. Tal como no Inverno, há quem sinta o frio de modo diferente, arriscando-se mesmo a dizer que o frio é psicológico. Seja lá como for, Simão sinta o frio como imaginava que os velhos de ossos frágeis o sentissem. Sentia o frio do modo que achava tão seu, porque não era velho e nem tinha ossos frágeis, houvesse um aparelho que afirmasse isso mesmo e ele veria com um sorriso a sua tristeza reconhecida num modo especial e único para sentir o frio.
Não havia nenhum aparelho e, se usasse um motor de busca como o Google, logo perceberia que muitos se queixavam do mesmo. Irritado, pela falta de originalidade, abafava-se num cobertor de lã, que lhe confirmava a sua própria necessidade, até que Rita chegou. Com um cobertor de lã numa noite tão quente?! Já sei. Mal de amores, não? E o abraço que afastou aquele cobertor.
27 de maio de 2009

A noite cansara-se daquele choro e os casais riam-se das rugas fáceis de quem se rezinga com a vida, e o relógio? O relógio, esse, olhava todos com a indiferença de quem se acostumou a ver passar o tempo, ver nascer, crescer e morrer vontades que se juraram eternas. O choro não lhe perturbava o seu ritmo, e era com o mesmo desprezo que ouvia os risos e via as rugas dos contrariados.

